
Se você é dono de salão de beleza ou está pensando em abrir um, provavelmente já ouviu que o Simples Nacional é a melhor escolha. Mas será que isso ainda é verdade para os salões de beleza em 2026 e continuará sendo em 2027?
A resposta curta é: depende. Porém, é preciso entender para avaliar.
Então, agora, você vai entender de forma simples como funciona a tributação de salões de beleza, quando o Simples Nacional é vantajoso, quando ele pode deixar de ser, e como pagar menos impostos dentro da lei.
Em seguida, confira:
O que é o Simples Nacional e como funciona para salões?
Salão de beleza paga quanto de imposto?
Quando o Simples Nacional pode deixar de ser vantajoso?
Lei do Salão Parceiro: como reduzir impostos legalmente
CNAE correto para salão de beleza
Quais impostos um salão paga?
Impacto da Reforma Tributária
Qual é o melhor regime tributário para salão de beleza?
Perguntas Frequentes
Boa leitura!

O que é o Simples Nacional e como funciona para salões?
Primeiramente o Simples Nacional é um regime tributário criado para pequenas empresas, que unifica vários impostos em uma única guia (DAS).
Assim, para salões de beleza, a regra geral é:
- Enquadramento: Anexo III
- Alíquota inicial: 6%
- Limite de faturamento: R$ 4,8 milhões por ano
Em outras palavras, isso significa que um salão que fatura R$ 30.000 por mês pode pagar aproximadamente R$ 1.800 de imposto no início.
Mas atenção: esse valor não é fixo. A alíquota aumenta conforme o faturamento anual cresce.
Salão de beleza paga quanto de imposto?
Essa é uma das dúvidas mais comuns — e a resposta não é única. Ou seja, o valor dos impostos depende de quatro fatores principais:
- Faturamento;
- Regime tributário;
- Folha de pagamento;
- Forma de contratação da equipe.
Desse modo, entenda abaixo tais fatores.
1. Faturamento
É o quanto o salão ganha por mês ou por ano. Assim, quanto maior o faturamento, maior tende a ser o imposto.
Além disso, no Simples Nacional, a alíquota aumenta conforme o faturamento cresce.
Por exemplo:
- Salão que fatura R$ 30 mil paga menos imposto;
- Salão que fatura R$ 200 mil paga uma porcentagem maior.
2. Regime tributário
É a forma escolhida para calcular os impostos (Simples Nacional, Lucro Presumido, etc.). Dessa maneira, cada regime tem regras diferentes. Isto é, o mesmo salão pode pagar mais ou menos imposto dependendo da escolha
Logo:
- No Simples Nacional: tudo vem em uma guia só
- No Lucro Presumido: impostos separados (às vezes pode ser mais barato)
3. Folha de pagamento
É o gasto com funcionários (salários, encargos, INSS, etc.). Só para ilustrar, em alguns casos, ter funcionários pode reduzir a alíquota. Por outro lado, em outros casos, pode aumentar o custo total da empresa
De forma simples, quando o salão tem funcionários registrados (CLT), ele pode ter algumas vantagens nos impostos, dependendo do caso — como enquadramentos mais favoráveis ou redução de alíquotas.
Por outro lado, ter funcionários também gera mais custos obrigatórios, como INSS, FGTS, férias, 13º salário e outros encargos trabalhistas.
Ou seja: pode ajudar a pagar menos imposto em algumas situações, mas aumenta os gastos com a equipe. O ideal é equilibrar esses dois pontos.
4. Forma de contratação da equipe
É como você trabalha com os profissionais:
- Funcionários registrados (CLT)
- Profissionais parceiros (Lei do Salão Parceiro)
Isso muda completamente o cálculo dos impostos.
Quando o salão não usa a parceria, ele paga imposto como se todo o dinheiro fosse dele, mesmo a parte que depois vai repassar para os profissionais.
Já quando o salão usa a Lei do Salão Parceiro corretamente, ele paga imposto apenas sobre o que realmente fica com ele, e não sobre o valor total do serviço.
Em outras palavras, sem parceria, o imposto é calculado sobre o valor cheio; com parceria, o imposto é calculado só sobre o lucro do salão.
Isso evita pagar imposto sobre um dinheiro que, na prática, nem é do salão.
Em resumo: o imposto do salão não depende só de quanto ele fatura, mas de como ele está organizado por dentro.
Exemplo Prático
Dois salões faturando R$ 30.000/mês:
| Situação | Imposto aproximado |
| Sem planejamento | R$ 1.800 |
| Com estrutura otimizada | Pode ser menor |
Ou seja: não é só o faturamento que define o imposto.
Quando o Simples Nacional pode deixar de ser vantajoso?
Embora seja o regime mais comum, o Simples não é sempre o mais econômico.
Então, salões que faturam entre R$ 200 mil e R$ 250 mil por mês podem começar a pagar mais impostos do que deveriam.
Nesses casos, o Lucro Presumido pode ser uma opção melhor em alguns casos porque, à medida que o salão cresce, o Simples Nacional deixa de ser tão “simples” assim no bolso.
Visto que no Simples, quanto mais o salão fatura, maior vai ficando a porcentagem de imposto. Chega um ponto em que essa alíquota sobe tanto que você começa a pagar mais do que pagaria em outro regime.
Já no Lucro Presumido, os impostos seguem regras mais fixas. Isso pode fazer com que, mesmo sendo um regime aparentemente mais complexo, o valor total pago seja menor.
Ou seja, o Simples é mais fácil de administrar, mas nem sempre é o mais barato. Quando o faturamento cresce, vale a pena comparar, porque a economia pode estar justamente em sair do “mais simples” e escolher o que pesa menos no caixa
LEMBRETES:
- As alíquotas do Simples aumentam com o faturamento;
- A carga tributária pode ultrapassar outros regimes;
- Nem sempre a simplicidade compensa o custo.
Em conclusão, o melhor regime depende da realidade do salão.
Lei do Salão Parceiro: como reduzir impostos legalmente
A Lei do Salão Parceiro (Lei nº 13.352/2016) continua válida em 2026 e 2027 e pode gerar economia significativa.
A Lei do Salão Parceiro é uma forma legal de organizar a relação entre o salão e os profissionais, como cabeleireiros e manicures, sem que eles sejam considerados funcionários. Em vez de contratar pela CLT, o salão trabalha em parceria com esses profissionais, que atuam de forma mais independente, usando a estrutura do local e dividindo o valor dos serviços.
Como funciona?
Na prática, funciona assim: o cliente paga pelo serviço, o salão fica com uma parte e repassa o restante para o profissional. A grande vantagem é que o salão passa a pagar imposto apenas sobre a sua parte, e não sobre o valor total — o que pode gerar uma boa economia tributária.
Mas isso só funciona de verdade quando tudo está feito corretamente. É preciso ter um contrato formal por escrito, esse contrato precisa ser validado no sindicato da categoria, e o profissional deve emitir nota fiscal pela parte dele. Sem esses cuidados, a parceria pode ser considerada irregular e virar vínculo empregatício.
Resumindo: a lei não é um “jeitinho” para pagar menos imposto, e sim uma forma segura de pagar apenas o que é devido — desde que o salão esteja totalmente dentro das regras.
O salão pode trabalhar com profissionais parceiros (cabeleireiros, manicures, etc.), desde que:
- Exista contrato formal;
- O contrato seja homologado no sindicato;
- O profissional emita nota fiscal.
Vantagem Principal
Sem a lei:
- O salão paga imposto sobre 100% do valor recebido
Com a lei:
- O salão paga imposto apenas sobre sua parte
Por exemplo:
Cliente paga: R$ 1.000
- R$ 600 → profissional parceiro
- R$ 400 → salão
Imposto incide apenas sobre R$ 400 (se estiver regularizado)
Isso pode representar uma redução relevante da carga tributária.
Cuidado com práticas ilegais
Alguns empresários tentam reduzir impostos abrindo vários MEIs em nome de terceiros.
Isso é considerado irregular e pode gerar:
- Multas
- Autuações da Receita Federal
- Problemas fiscais graves
Com o cruzamento de dados cada vez mais avançado, essas práticas estão sendo facilmente identificadas.
A melhor estratégia é sempre o planejamento tributário legal.

CNAE correto para salão de beleza
O CNAE define como seu negócio será tributado.
Os principais são:
- 9602-5/01 → Cabeleireiros, manicure e pedicure
- 9602-5/02 → Estética e outros serviços
Escolher o CNAE errado pode fazer você pagar impostos indevidos.
Quais impostos um salão paga?
Depende do regime:
No Simples Nacional
Para os salões de beleza no Simples Nacional todos os impostos já vem no DAS:
- ISS
- INSS
- IRPJ
- PIS
- COFINS
No Lucro Presumido
Impostos separados:
- PIS: 0,65%
- COFINS: 3%
- ISS (municipal)
- IRPJ e CSLL
Impacto da Reforma Tributária (2026 e 2027)
A Reforma Tributária já está em fase de transição e trará mudanças importantes.
Principais pontos:
- Substituição de tributos por CBS e IBS;
- Mudanças na forma de cálculo;
- Adaptação dos regimes atuais.
Durante esse período, o planejamento tributário será ainda mais importante.

Qual é o melhor regime tributário para salão de beleza?
Na maioria dos casos:
O Simples Nacional é melhor para:
- Salões pequenos;
- Negócios iniciantes;
- Baixo faturamento.
Pode não ser ideal para:
- Salões em crescimento;
- Alto faturamento;
- Estrutura mais complexa.
Não existe resposta padrão. Pois o ideal é sempre fazer um estudo.
Salões de Beleza no Simples Nacional – Perguntas Frequentes
Salão de beleza é sempre Anexo III?
Sim, em regra, atividades de beleza são tributadas pelo Anexo III do Simples Nacional.
A alíquota é sempre 6%?
Não. 6% é apenas a alíquota inicial. Ela aumenta conforme o faturamento anual.
Posso pagar menos imposto legalmente?
Sim. Com:
- Planejamento tributário
- Lei do Salão Parceiro
- Escolha correta do regime
Preciso emitir nota fiscal?
Sim. Para estar regular:
- CNPJ ativo
- Cadastro na prefeitura
- Emissão de NFS-e
Vale a pena sair do Simples Nacional?
Depende. Em alguns casos, o Lucro Presumido pode ser mais econômico.
Posso trabalhar com profissionais sem contrato?
Não é recomendado. Isso pode gerar:
- Processo trabalhista
- Multas
- Problemas fiscais
Conclusão
O Simples Nacional é uma excelente opção para muitos salões de beleza — mas não é uma regra absoluta.
À medida que o negócio cresce, continuar no mesmo regime pode significar pagar mais impostos do que o necessário.
A melhor decisão sempre passa por:
- Análise do faturamento;
- Estrutura do negócio;
- Forma de contratação;
- Planejamento tributário.
Com as mudanças da Reforma Tributária em andamento, revisar sua estratégia será essencial para manter a lucratividade e evitar riscos. Portanto, salões de beleza, avaliem se o Simples Nacional é para vocês!
Com a é-Simples, você conta com uma contabilidade especializada no setor da beleza que ajuda seu salão a pagar menos impostos e aumentar seus resultados com segurança.

Sócio Fundador e CEO da é-Simples Auditoria Eletrônica, Contador, Consultor Tributário, Empreendedor, trabalhando na área fiscal desde 2007 e agora programando sistema para promover benefícios fiscais a seus clientes.





