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Produtos Monofásicos de PIS e COFINS: Guia Completo
Produtos Monofásicos de PIS e COFINS: Guia Completo

Produtos Monofásicos de PIS e COFINS: Guia Completo

24 minutos para ler

Atualizado em · Revisão técnica: Leonel Monteiro, contador CRC 018910/O-6

Os produtos monofásicos de PIS e COFINS são mercadorias submetidas a um regime em que a tributação dessas contribuições é concentrada em determinado ponto da cadeia, normalmente na produção ou importação.

Nas etapas seguintes, como atacado e varejo, a receita de revenda pode estar sujeita a alíquota zero, desde que o produto esteja efetivamente enquadrado no regime e a operação seja corretamente escriturada.

Na prática, isso significa que uma empresa que revende mercadorias monofásicas precisa separar essas receitas das demais para evitar calcular PIS e COFINS como se todos os produtos estivessem submetidos à tributação normal.

O regime é especialmente relevante para empresas que trabalham com autopeças, medicamentos, cosméticos, produtos de higiene, bebidas, combustíveis e outros produtos previstos na legislação.

Atenção: produto vendido com alíquota zero não é automaticamente produto monofásico. O enquadramento deve ser conferido conforme a legislação e a classificação fiscal da mercadoria.

Veremos a diferença entre CST 04, relacionado à tributação monofásica, e CST 06, utilizado em situações específicas de alíquota zero.

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Assim, neste artigo, veremos:

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Então, acompanhe!

O que é tributação monofásica?

Resposta rápida: tributação monofásica é a cobrança de um tributo uma única vez na cadeia, em geral pelo fabricante ou importador, com alíquota maior. Nas revendas seguintes (atacado e varejo), a receita fica com alíquota zero. Hoje ela existe no PIS/Cofins de autopeças, medicamentos, perfumaria e higiene, bebidas frias e combustíveis (Leis 10.147/2000 e 10.485/2002, entre outras) e no ICMS sobre combustíveis (LC 192/2022). No Simples Nacional, a empresa que revende esses produtos segrega a receita no PGDAS-D para não pagar PIS e Cofins de novo dentro do DAS.

Monofásica não é o mesmo que substituição tributária. Veja a diferença:

Substituição tributária (ICMS-ST)Tributação monofásica
Um contribuinte (substituto) recolhe antecipadamente o imposto das etapas seguintes da cadeia, com base presumida (MVA ou pauta).O tributo incide uma única vez, com alíquota concentrada. As etapas seguintes ficam com alíquota zero, sem cálculo das próximas operações.
Usada principalmente no ICMS.Usada no PIS/Cofins (até 2026) e no ICMS sobre combustíveis.
No PGDAS-D: receita “com substituição tributária” de ICMS.No PGDAS-D: receita com “tributação monofásica” de PIS e Cofins.

Tributação monofásica se aplica a serviços? Não. Ela vale para a receita de venda de determinados bens, identificados pela NCM. Receitas de prestação de serviço seguem a tributação normal do regime da empresa.

Como funciona a tributação monofásica?

Imagine uma cadeia formada por:

Fabricante → Distribuidor → Varejista → Consumidor

Em uma operação sujeita ao regime monofásico, a tributação de PIS e COFINS é concentrada na etapa definida pela legislação, enquanto as etapas posteriores podem ter tratamento diferenciado.

Exemplo Prático

Uma indústria fabrica determinado produto sujeito ao regime monofásico.

O produto é vendido para um distribuidor, que posteriormente o revende para um supermercado.

O supermercado, ao vender esse produto ao consumidor, não deve simplesmente aplicar a tributação normal de PIS e COFINS sobre aquela receita. É necessário verificar o enquadramento fiscal e aplicar o tratamento correspondente.

Por isso, cadastrar corretamente cada produto é tão importante quanto calcular corretamente o imposto.

Quais produtos são monofásicos?

Não existe uma regra pela qual toda mercadoria de determinado setor seja automaticamente monofásica.

O enquadramento depende da classificação fiscal, da legislação específica e das características da operação.

Entre as categorias encontradas nos materiais analisados estão:

CategoriaExemplos
CombustíveisGasolina, óleo diesel, GLP, álcool hidratado
FarmacêuticosMedicamentos e determinados produtos farmacêuticos
Higiene pessoalProdutos enquadrados na legislação específica
Perfumaria e cosméticosPerfumes, cosméticos e determinados itens de higiene
AutopeçasPeças relacionadas nas listas legais
PneusPneus novos de borracha
Câmaras de arCâmaras de ar de borracha
BebidasÁguas, cervejas, refrigerantes e outras bebidas enquadradas
Cigarros e derivados do fumoProdutos sujeitos à tributação concentrada
Máquinas e veículosDeterminadas máquinas e veículos previstos na TIPI
Outros produtosÁgua, preparações compostas, biodiesel, querosene de aviação, nafta, entre outros

A lista não deve ser utilizada isoladamente para determinar o tratamento tributário. A NCM da mercadoria deve ser confrontada com a legislação vigente.

Produtos monofásicos precisam ser identificados pela NCM

Um dos principais cuidados para empresas que comercializam esses produtos é não utilizar apenas o nome comercial da mercadoria para determinar sua tributação.

A identificação deve considerar a NCM — Nomenclatura Comum do Mercosul.

Também há a Tabela 4.3.10 da EFD-Contribuições como referência para produtos sujeitos a alíquotas diferenciadas, tributação monofásica ou por pauta.

A Receita Federal mantém essa tabela atualizada conforme as mudanças na legislação. Antes de parametrizar o sistema, confira sempre a versão vigente no Portal SPED. Atenção: a LC nº 228/2026, que às vezes aparece associada a esse tema, trata da redução de PIS/Cofins da indústria química e petroquímica e não altera a lista de produtos monofásicos.

NCM, TIPI e legislação: como conferir?

Uma conferência segura deve considerar:

  1. NCM do produto;
  2. descrição e características da mercadoria;
  3. legislação específica;
  4. TIPI, quando aplicável;
  5. Tabela 4.3.10 da EFD-Contribuições;
  6. CST utilizado na operação;
  7. finalidade da aquisição;
  8. tipo de operação realizada.

A legislação e as tabelas fiscais precisam ser acompanhadas periodicamente, pois classificações e tratamentos tributários podem sofrer alterações.

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Mulher de camisa branca com notebook; card Produtos: qual CST usar para produtos monofásicos

Qual CST usar para produtos monofásicos?

O CST precisa corresponder ao tratamento tributário da operação.

Há, principalmente, a necessidade de diferenciar:

  • CST 04: operação com tributação monofásica;
  • CST 06: operação com alíquota zero em hipóteses específicas.

Portanto, não é correto assumir que toda venda com alíquota zero deve receber automaticamente o mesmo CST.

Além disso, a parametrização deve ser feita de acordo com o produto e a operação efetivamente realizada.

Por que a parametrização do sistema é tão importante?

Um erro no cadastro fiscal de um produto pode ser reproduzido em várias etapas da operação.

Por exemplo:

Cadastro incorreto → nota fiscal incorreta → escrituração incorreta → SPED incorreto → apuração incorreta.

Por isso, o ERP deve estar parametrizado com informações fiscais atualizadas.

É recomendável:

  • revisar NCM;
  • conferir CST;
  • cruzar informações fiscais;
  • realizar auditorias periódicas;
  • corrigir inconsistências em lote quando necessário;
  • acompanhar alterações na legislação e na Tabela 4.3.10.

Dica Prática

Uma empresa que vende 5 mil produtos não deve analisar apenas o faturamento total.

É necessário identificar quais SKUs possuem tratamento monofásico, quais estão sujeitos à tributação normal e quais possuem outros tratamentos fiscais.

Produtos monofásicos no supermercado

Supermercados precisam de atenção especial porque comercializam produtos com tratamentos tributários muito diferentes.

Um exemplo simples:

  • arroz: tratamento tributário próprio;
  • refrigerante: pode estar sujeito ao regime monofásico;
  • produto de higiene: verificar NCM;
  • medicamento: verificar enquadramento;
  • brinquedo: normalmente não deve ser classificado automaticamente como monofásico.

Portanto, não é correto considerar todo o estoque do supermercado como monofásico.

O cadastro por NCM permite separar as mercadorias e calcular corretamente as receitas de cada grupo.

Também note que alimentos em geral não são automaticamente monofásicos, enquanto determinadas bebidas podem estar submetidas ao regime.

Produtos monofásicos em pet shops

O mesmo cuidado vale para pet shops.

Uma loja pode comercializar:

  • medicamentos veterinários;
  • rações;
  • produtos de higiene;
  • brinquedos;
  • roupas;
  • camas;
  • coleiras;
  • acessórios.

Esses produtos não devem receber automaticamente o mesmo tratamento.

Além disso, determinados medicamentos veterinários podem estar sujeitos à tributação monofásica, dependendo da NCM (Lei 10.147/2000). Já as rações para animais de estimação não são monofásicas, e itens de higiene animal (xampu, por exemplo) também não, conforme soluções de consulta da Receita. Brinquedos, roupas, camas, coleiras e acessórios seguem a tributação normal.

E os cigarros e derivados do fumo?

Nos produtos de tabaco, a tributação é concentrada na indústria ou no importador.

A revenda pelo atacado ou varejo pode ter alíquota zero, desde que o enquadramento e a escrituração estejam corretos.

Por isso, empresas que comercializam esses produtos precisam evitar a aplicação automática de uma tributação normal sobre toda a receita.

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Produtos monofásicos na importação

A importação merece atenção especial.

Quando uma empresa importa uma mercadoria sujeita à tributação concentrada, o desembolso tributário pode ocorrer já no momento do desembaraço aduaneiro, afetando o fluxo de caixa.

Além disso, a tributação incidente na entrada precisa ser considerada na:

  • formação do preço;
  • margem de lucro;
  • análise de custos;
  • gestão do estoque;
  • decisão sobre novas importações.

Exemplo

Uma empresa importa determinado produto e considera apenas:

valor da mercadoria + frete + despesas aduaneiras

na formação do preço.

Se houver uma carga tributária relevante na importação que não foi considerada, a margem real poderá ser muito menor do que a prevista.

Por isso, a NCM deve ser analisada antes da nacionalização da mercadoria. Produtos semelhantes podem receber tratamentos diferentes conforme sua classificação fiscal e a legislação aplicável.

Mulher de camisa branca com notebook; card Produtos: quais são os impactos

Quais são os impactos dos produtos monofásicos no Simples Nacional?

Para empresas do Simples Nacional, a correta segregação das receitas de produtos sujeitos à tributação monofásica é especialmente importante.

A empresa precisa identificar corretamente as receitas para que a parcela correspondente ao tratamento monofásico seja considerada na apuração conforme as regras aplicáveis.

Exemplo

Uma loja possui faturamento mensal de R$ 100 mil, sendo:

  • R$ 40 mil em produtos sujeitos ao regime monofásico;
  • R$ 60 mil em produtos com tratamento tributário diferente.

A apuração não deve tratar os R$ 100 mil como se todas as receitas tivessem exatamente a mesma tributação.

A segregação correta permite aplicar o tratamento fiscal correspondente a cada tipo de receita.

O percentual efetivo de economia não pode ser presumido: depende do produto, da legislação, da composição das receitas e do regime tributário.

Como segregar a receita monofásica no PGDAS-D

  1. Selecione a atividade “Revenda de mercadorias” e informe a receita dos produtos monofásicos separada das demais.
  2. No campo de PIS e Cofins, marque “tributação monofásica”. Assim o aplicativo não aplica os percentuais desses dois tributos sobre essa receita.
  3. Essa receita continua na base de IRPJ, CSLL, CPP e ICMS do Simples. Só PIS e Cofins saem do cálculo (Perguntas e Respostas do Simples Nacional, item 7.4, notas 1 e 2; LC 123, art. 18, §4º-A, I).

Quanto isso representa? Veja um exemplo no Anexo I em 2026. Uma loja tem RBT12 de R$ 500.000,00 (3ª faixa), o que dá alíquota efetiva de 6,728%. Nessa faixa, PIS (2,76%) e Cofins (12,74%) somam 15,50% do DAS. Com R$ 40.000,00 de receita monofásica no mês, a redução no DAS é de 40.000 × 6,728% × 15,50% = R$ 417,14 no mês. É esse valor que se perde quando a segregação não é feita.

E o ICMS monofásico dos combustíveis?

No ICMS, o regime monofásico vale para combustíveis. A LC nº 192/2022 o previu para gasolina, etanol anidro, diesel, biodiesel e GLP/GLGN. O Convênio ICMS 199/2022 implantou o regime para diesel, biodiesel e GLP a partir de 1º/05/2023, e o Convênio ICMS 15/2023 fez o mesmo para gasolina e etanol anidro a partir de 1º/06/2023. As alíquotas são fixas por litro ou quilo (ad rem), definidas e atualizadas pelo CONFAZ. Consulte o convênio vigente antes de calcular. Os lubrificantes não entram nesse regime e seguem o Convênio ICMS 110/2007. Na NF-e, o optante pelo Simples que revende esses combustíveis usa o CST próprio do ICMS monofásico (por exemplo, CST 61) no lugar do CSOSN.

Como saber se a empresa está pagando PIS e COFINS indevidamente?

Alguns sinais justificam uma revisão fiscal:

  • a empresa revende produtos potencialmente monofásicos;
  • todas as mercadorias estão cadastradas com a mesma tributação;
  • não existe separação entre receitas monofásicas e não monofásicas;
  • o ERP não possui parametrização fiscal atualizada;
  • NCM e CST nunca foram revisados;
  • não houve auditoria da EFD-Contribuições;
  • a empresa nunca realizou levantamento histórico das operações.

A ausência de separação contábil entre receitas monofásicas e demais receitas também há um possível indício de oportunidade de recuperação.

Como recuperar PIS e COFINS pagos indevidamente?

A recuperação depende da natureza do pagamento, do regime tributário, da documentação e da comprovação do direito ao crédito.

Entre os mecanismos possíveis estão:

1. Restituição

Quando o contribuinte pretende receber o valor em conta bancária, pode haver possibilidade de apresentar pedido de restituição.

2. Compensação

Quando permitido, o crédito pode ser utilizado para compensar débitos tributários.

Para pagamentos indevidos ou a maior realizados em DARF, a Receita Federal informa que o pedido de restituição ou a declaração de compensação, em regra, são feitos pelo PER/DCOMP Web, por meio do e-CAC.

3. Via judicial

Quando existe controvérsia sobre o direito, enquadramento ou forma de recuperação, pode ser necessária a análise jurídica e eventual medida judicial.

Qual é o prazo para recuperar valores pagos indevidamente?

Em regra, o prazo para solicitar a restituição ou compensação de pagamentos indevidos é de cinco anos, observadas as regras aplicáveis ao crédito.

A Receita Federal informa expressamente o prazo de cinco anos para pagamentos indevidos ou a maior, com fundamento no art. 168 do Código Tributário Nacional.

Exemplo

Se uma empresa identificar em 2026 que recolheu determinado tributo indevidamente em períodos anteriores, não significa que poderá simplesmente recuperar qualquer valor desde a abertura da empresa.

É necessário verificar o período ainda alcançado pelo prazo legal, além de comprovar documentalmente cada operação.

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Quanto uma empresa pode recuperar?

Não existe um percentual universal.

O resultado depende de fatores como:

  • faturamento;
  • percentual de produtos monofásicos;
  • período analisado;
  • regime tributário;
  • NCMs;
  • tratamento fiscal aplicado;
  • valores efetivamente recolhidos;
  • documentação disponível;
  • existência de erros na apuração.

Existem estimativas de 1% a 3% do faturamento de determinados produtos e de até 1,98% das vendas de produtos monofásicos para empresas do Simples Nacional, mas esses números são apenas estimativas e não representam uma regra legal ou garantia de recuperação.

Reforma Tributária: o que muda para os produtos monofásicos?

A Reforma Tributária muda significativamente o cenário.

A Emenda Constitucional nº 132/2023 instituiu o novo modelo de tributação sobre o consumo, regulamentado, entre outras normas, pela Lei Complementar nº 214/2025.

O novo sistema cria:

  • IBS — Imposto sobre Bens e Serviços;
  • CBS — Contribuição sobre Bens e Serviços;
  • Imposto Seletivo (IS).

A Receita Federal informa que PIS/Pasep e COFINS estão entre os tributos que serão substituídos pelo novo sistema.

O que acontece com o monofásico de PIS e COFINS em 2027?

Esse é um dos pontos mais importantes para as empresas.

A LC nº 214/2025 prevê a substituição do sistema atual de PIS/COFINS pela CBS, com alterações no tratamento tributário de diversos setores.

Os segmentos atualmente submetidos ao modelo monofásico — como autopeças, medicamentos, pneus, higiene pessoal, perfumaria e cosméticos — deixam de utilizar o modelo atual, passando para a lógica do novo sistema, com tributação nas diferentes etapas e possibilidade de créditos conforme as regras do IBS/CBS.

Isso não significa, porém, que todos os produtos terão exatamente o mesmo tratamento no novo sistema.

Combustíveis continuam com tributação monofásica no novo sistema

Os combustíveis possuem tratamento específico.

A LC nº 214/2025 estabelece incidência única do IBS e da CBS para determinados combustíveis. O texto legal, já considerando alterações posteriores, inclui, entre outros:

  • gasolina e suas correntes;
  • etanol anidro;
  • diesel e suas correntes;
  • biodiesel;
  • GLP;
  • etanol hidratado;
  • querosene de aviação;
  • óleo combustível;
  • gás natural processado;
  • biometano;
  • GNV.

Portanto, não é correto afirmar que a Reforma simplesmente acaba com toda tributação monofásica.

Há tratamentos específicos que permanecem no novo modelo.

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Simples Nacional: IBS e CBS ficarão dentro ou fora do DAS?

Para as empresas do Simples Nacional, uma das principais decisões relacionadas à Reforma Tributária será avaliar se o IBS e a CBS permanecerão na sistemática do Simples ou serão apurados pelo regime regular.

A legislação permite ao optante pelo Simples escolher a apuração do IBS e da CBS pelo regime regular, hipótese em que essas parcelas deixam de ser cobradas pelo regime único.

Essa escolha pode ser especialmente relevante para empresas que comercializam produtos atualmente sujeitos à tributação monofásica.

Exemplo Prático

Imagine uma distribuidora que vende grande volume para empresas do regime regular.

No modelo atual, determinadas mercadorias podem ter PIS/COFINS concentrados anteriormente na cadeia.

Com a Reforma, a empresa deverá comparar:

Cenário A — IBS/CBS dentro do Simples

versus

Cenário B — IBS/CBS pelo regime regular

A decisão deve considerar:

  • perfil dos clientes;
  • possibilidade de geração e apropriação de créditos;
  • fornecedores;
  • margem de lucro;
  • volume de vendas;
  • composição do estoque;
  • tipo de mercadoria;
  • formação de preços;
  • impacto financeiro.

Não existe uma opção automaticamente melhor para todas as empresas.

Como fica o DAS a partir de 2027

Para quem continuar com IBS e CBS dentro do DAS, a LC 214/2025 (art. 517) já publicou as novas tabelas. No Anexo I (comércio), para 2027 e 2028:

  • as alíquotas nominais das faixas 1 a 5 não mudam. A 6ª faixa passa de 19% para 18,90%;
  • na repartição, a fatia de PIS 2,76% + Cofins 12,74% vira CBS 15,33% + IBS 0,17%;
  • a segregação continua para receitas de operações monofásicas do novo sistema (como combustíveis) e para ICMS, IBS e CBS já recolhidos por substituição ou antecipação com encerramento (novo art. 18, §4º-A, I, da LC 123).

O que isso significa na prática: com a extinção do PIS e da Cofins em 1º/01/2027 (LC 214, art. 542), a “economia do monofásico” que hoje existe para autopeças, medicamentos, perfumaria e bebidas frias deixa de existir no DAS, porque a CBS desses produtos não é monofásica. Os períodos até dezembro de 2026 continuam recuperáveis por 5 anos (CTN, art. 168). Por isso, a revisão das apurações passadas é a principal oportunidade ainda aberta.

E o estoque de produtos monofásicos na transição?

O estoque merece atenção especial.

Empresas que avaliarem a migração para o regime regular precisam estudar como o estoque existente será tratado dentro das regras de transição e dos mecanismos de crédito previstos na Reforma.

O levantamento deve identificar:

  • quantidade de produtos;
  • NCM;
  • custo de aquisição;
  • data de entrada;
  • fornecedor;
  • tratamento tributário anterior;
  • documentação fiscal;
  • possibilidade de crédito conforme a legislação vigente.

Desse modo, há a necessidade de levantar o estoque antes da mudança de regime.

Calendário: 2026 e 2027

2026 – Ano de preparação

2026 é fundamental para:

  • revisar cadastro de produtos;
  • validar NCMs;
  • conferir CSTs;
  • revisar parametrização do ERP;
  • auditar receitas monofásicas;
  • levantar possíveis pagamentos indevidos;
  • avaliar estoque;
  • simular cenários para 2027;
  • preparar documentos fiscais para IBS/CBS;
  • analisar a opção pelo regime regular.

A Receita Federal já atualizou a legislação e os materiais relacionados à Reforma Tributária, incluindo a LC nº 214/2025 e a LC nº 227/2026.

2027 – Início efetivo da nova fase

Em 2027, a CBS passa a substituir PIS/Cofins no novo modelo, enquanto o IBS entra na transição prevista pela Reforma.

Para optantes do Simples Nacional, as orientações fiscais relacionadas ao IBS/CBS passam a ter aplicação a partir de 2027. A documentação técnica da NF-e também prevê tratamento específico para Simples Nacional e tributação monofásica a partir de 1º de janeiro de 2027.

Além disso, para o ano-calendário de 2027, a opção pelo Simples Nacional das empresas já em atividade foi antecipada para o segundo semestre de 2026, conforme a Resolução CGSN nº 186/2026, alterada pela Resolução CGSN nº 194/2026.

Atenção ao prazo de 2026

  • Opção pelo Simples Nacional para 2027: de 1º/09 a 15/10/2026 (prazo encerrado).
  • Opção por recolher IBS e CBS pelo regime regular no 1º semestre de 2027: de 1º/09 a 30/10/2026.

Por isso, o período que vai até 30/10/2026 é estratégico para o planejamento tributário: é nele que se decide se IBS e CBS ficam dentro ou fora do DAS no início de 2027.

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O que a empresa deve fazer agora?

Uma estratégia segura pode seguir este roteiro:

1. Mapear os produtos

Liste todos os produtos comercializados e suas respectivas NCMs.

2. Revisar a classificação fiscal

Não utilize apenas a descrição comercial.

3. Conferir o tratamento tributário

Compare NCM, legislação, Tabela 4.3.10 e CST.

4. Revisar o ERP

Garanta que o cadastro fiscal esteja refletindo o tratamento correto.

5. Auditar os últimos cinco anos

Verifique entradas, saídas, apurações e documentos fiscais para identificar possíveis pagamentos indevidos.

6. Corrigir a apuração atual

Não adianta recuperar valores antigos e continuar cometendo o mesmo erro no mês seguinte.

7. Avaliar o estoque

Principalmente se houver possibilidade de alteração do regime de apuração do IBS/CBS.

8. Simular 2027

Compare o impacto de manter IBS/CBS no Simples com a possibilidade de apuração pelo regime regular.

9. Revisar preços

A Reforma pode alterar a formação do preço, os créditos da cadeia e a margem de contribuição.

10. Planejar com antecedência

O objetivo não é apenas pagar menos imposto, mas evitar uma tributação maior por falta de planejamento.

Exemplo: Supermercado em 2026 e 2027

Considere um supermercado com faturamento mensal de R$ 500 mil.

Desse total:

  • R$ 150 mil correspondem a produtos sujeitos a tratamento monofásico;
  • R$ 350 mil correspondem a outras mercadorias.

Em 2026

O supermercado deve:

  1. identificar as NCMs;
  2. conferir os produtos monofásicos;
  3. separar as receitas;
  4. revisar CSTs;
  5. conferir o PGDAS-D, quando aplicável;
  6. revisar o ERP;
  7. levantar possíveis pagamentos indevidos;
  8. verificar os últimos cinco anos;
  9. preparar o estoque;
  10. simular 2027.

Em 2027

A empresa deverá trabalhar com o novo cenário de IBS/CBS e avaliar, dentro das regras aplicáveis ao Simples, se o melhor caminho é manter esses tributos no regime unificado ou optar pela apuração regular.

A decisão deverá considerar principalmente clientes, créditos, fornecedores, margem e composição das vendas.

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Mulher de camisa branca em escritório; card Produtos: erros comuns na tributação

Erros comuns na tributação de produtos monofásicos

1. Classificar pela descrição do produto

O nome comercial não é suficiente.

2. Usar somente o CFOP

O CFOP não substitui a análise da NCM e da legislação aplicável.

3. Considerar toda a loja monofásica

Uma empresa pode vender produtos monofásicos e não monofásicos simultaneamente.

4. Confundir alíquota zero com monofásico

São tratamentos que não devem ser confundidos.

5. Nunca revisar o cadastro

Uma parametrização antiga pode continuar gerando erros durante anos.

6. Ignorar a importação

A classificação incorreta antes da nacionalização pode afetar diretamente o custo e o fluxo de caixa.

7. Recuperar valores sem corrigir o presente

A recuperação tributária deve vir acompanhada da correção dos procedimentos para evitar novos pagamentos indevidos.

Dúvidas Frequentes sobre Produtos Monofásicos

O que são produtos monofásicos?

São produtos submetidos a um regime no qual a tributação de PIS e COFINS é concentrada em determinado ponto da cadeia, normalmente na produção ou importação.

Todo produto vendido com alíquota zero é monofásico?

Não. O tratamento de alíquota zero não significa automaticamente que a mercadoria esteja sujeita ao regime monofásico.

Como saber se um produto é monofásico?

A análise deve começar pela NCM, sendo necessário confrontá-la com a legislação aplicável e as tabelas fiscais correspondentes.

Quais empresas precisam ficar atentas?

Entre outras, supermercados, farmácias, autopeças, distribuidoras, postos de combustíveis, lojas de cosméticos, perfumarias, pet shops e empresas importadoras.

Posso recuperar PIS e COFINS pagos indevidamente?

Pode existir direito à restituição ou compensação, desde que o pagamento indevido seja comprovado e sejam atendidas as regras fiscais aplicáveis.

Qual o prazo para recuperar?

Em regra, cinco anos, observadas as regras específicas aplicáveis ao crédito. A Receita Federal confirma esse prazo para pagamentos indevidos ou a maior.

O que muda em 2027?

PIS e COFINS entram no processo de substituição pelo novo sistema, com a CBS, enquanto o IBS inicia sua trajetória de transição. Os tratamentos específicos previstos na LC nº 214/2025 precisam ser analisados por setor e operação.

O monofásico vai acabar com a Reforma Tributária?

O modelo atual de PIS/COFINS monofásico não será simplesmente mantido para todos os produtos. Diversos regimes serão substituídos pela nova sistemática de IBS/CBS, enquanto combustíveis terão tratamento específico com incidência única.

Quem está no Simples Nacional terá que sair do regime?

Não. A Reforma criou regras específicas para o Simples Nacional e permite, em determinadas condições, escolher a apuração do IBS e da CBS pelo regime regular. Essa decisão deve ser analisada individualmente.

Qual a diferença entre monofásico e substituição tributária?

Na substituição tributária, um contribuinte recolhe antecipadamente o imposto das etapas seguintes. No monofásico, o tributo incide uma única vez, com alíquota concentrada, e as revendas ficam com alíquota zero. Veja a tabela comparativa no início do artigo.

Onde consultar a lista oficial de produtos monofásicos?

Na legislação de cada grupo de produtos (como as Leis 10.147/2000 e 10.485/2002) e na Tabela 4.3.10 da EFD-Contribuições, publicada no Portal SPED da Receita Federal. A consulta deve ser feita pela NCM, e não pelo nome comercial.

Como a é-Simples identifica os monofásicos?

A plataforma lê os XMLs das notas, cruza a NCM de cada item com a legislação e separa automaticamente as receitas monofásicas. É possível analisar por nota (caixa ou competência) ou por produto e gerar os relatórios usados na segregação do PGDAS-D e na recuperação dos valores pagos a maior.

Produtos monofásicos: oportunidade e desafio para 2026 e 2027

A tributação monofásica não deve ser analisada apenas como uma possibilidade de redução de impostos.

Ela envolve cadastro fiscal, NCM, CST, ERP, escrituração, apuração, recuperação de valores e planejamento tributário.

Em 2026, o principal desafio é preparar a empresa para a mudança.

Em 2027, o foco passa a ser a adaptação ao novo modelo de IBS e CBS e a escolha da estratégia mais adequada para cada negócio.

Para empresas que comercializam produtos monofásicos, esperar a mudança acontecer pode significar perder tempo para revisar preços, estoque, créditos e processos fiscais.

Conclusão

Os produtos monofásicos de PIS e COFINS exigem uma análise cuidadosa porque o tratamento tributário não depende apenas do setor em que a empresa atua, mas principalmente da mercadoria, NCM, legislação e operação realizada.

Em 2026, revisar o cadastro fiscal e identificar possíveis pagamentos indevidos pode gerar oportunidades de recuperação, além de evitar novos erros.

Ao mesmo tempo, a Reforma Tributária torna essa revisão ainda mais importante. A substituição de PIS e COFINS pela CBS e a implantação do IBS modificam a lógica atual de tributação e exigem que empresas do Simples Nacional avaliem seus cenários para 2027.

Não existe uma estratégia única para todas as empresas. O melhor caminho depende da composição do faturamento, dos produtos vendidos, dos fornecedores, dos clientes, do estoque, dos créditos e da estrutura tributária do negócio.

Quer saber se sua empresa está pagando imposto a mais?

A é-Simples ajuda empresas do Simples Nacional a identificar oportunidades tributárias, revisar produtos, analisar a tributação e encontrar possíveis valores que podem estar sendo recolhidos de forma inadequada.

Antes de pagar mais imposto em 2027, revise agora seus produtos, sua tributação e suas oportunidades de recuperação. Consulte os especialistas da é-Simples!

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45 comentários em “Produtos Monofásicos de PIS e COFINS: Guia Completo”

    1. Bom dia! Para identificar os produtos monofásicos na farmácia, é preciso cruzar os NCMs dos itens com as listas da Lei nº 10.147/2000 (medicamentos e itens de higiene/toucador). É um trabalho que uma ferramenta de classificação automatiza bem — a é-Simples tem solução pra isso. Para orientação no seu caso, fale com a equipe pelo site esimplesauditoria.com.

      Leonel Monteiro, contador CRC 018910/O-6

  1. Olá sou contador e possuo clientes como perfumaria, deogaria e padaria.. quero apurar os tributos monofásicos, pode me enviar valor para adquirir seu software

          1. Uma empresa que revende produtos de refrigeração, esses produtos são monofásicos? Se sim, aonde encontro a lista? Desde já agradeço.

  2. Bom dia! Já trabalho nesse seguimento de recuperação de tributos, tanto das empresas do simples nacional quanto outras teses. Atualmente utilizo a ferramenta da e-auditoria. Além da tese do simples nacional, trabalho com as teses de recuperação das seguintes teses: Exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS e das suas teses filhotes; Exclusão do benefício fiscal da base de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS; Você conhece a ferramenta e-auditoria? A sua ferramenta (solfware) desenvolve bem essas teses? Gostaria de um retorno

  3. Olá sou contador e trabalho com Recuperação Tributos PIS/COFINS últimos 5 anos, em todos os segmentos que comercializam Produtos Monofásicos, Desejo receber o valor de aquisição do seu Software.

  4. Boa tarde,
    Meu pai tem uma ferragem ele é do simples nacional, e ouvimos falar que o cimento e tintas são produtos que dá para ver os impostos do pis e cofins.
    Teria como em passar esta informação?

    1. Este segmento tem direito a recuperação de ICMS substituição tributária mas só serve para compensar nas guias Do das mensal. Esta é nossa especialidade aqui em Porto Alegre-RS e trabalhamos para o Brasil inteiro. Conte conosco para uma parceria.

  5. Olá,
    Loja que comercializa chocolates, bombons, e doces teria oportunidade pra recuperar o Pis/Cofins (Simples Nacional) ?

    1. Boa tarde, Anderson! Para conhecer a ferramenta de identificação de produtos monofásicos e recuperação de PIS/COFINS, bem como valores, o melhor caminho é falar com a equipe da é-Simples Auditoria pelo site esimplesauditoria.com. Eles te apresentam a solução direitinho.

      Leonel Monteiro, contador CRC 018910/O-6

  6. Tira essa duvida: Empresa varejista de material de construção, utilidades de casa (panelas, plásticos, brinquedos e outros) e mercadinho tem direito a tributação monofásica e substituição tributaria para adquirir os descontos?

    1. Mercadinho sim, para efeito dos produtos monofásicos, agora o Material de construção tem muito produto sujeito a subsitutição tributária do ICMS, mas não tem produtos monofásicos. Já útilidades a grande maioria é tributação integral.

  7. bom dia Leonel Monteiro, tenho uma LANCHONETE optante pelo simples nacional faço pastel e vendo bebidas REFRIGERANTE, CERVEJA E AGUA, consigo recuperar PIS E COFINS no meu ramo?

  8. Bom dia!
    Tenho Farmacia de manipulação e drogaria (CNAE 4771-7/02), como lançar todos os produtos corretamente e quais seriam monofásicos? Ativos-Matéria prima entraria como monofásico?
    Att:Gau Oliveira

    1. Bom dia, Gau! Em farmácia de manipulação + drogaria (CNAE 4771-7/02), a revenda de medicamentos prontos pode ter itens monofásicos (Lei 10.147/2000), enquanto os manipulados e as matérias-primas, em regra, seguem a tributação ordinária. A classificação correta exige cruzar os NCMs item a item. Para fazer isso com segurança, a equipe da é-Simples pode ajudar.

      Leonel Monteiro, contador CRC 018910/O-6

  9. Bom dia. Vi que sua ferramenta atende o simples nacional. Preciso de uma para atender o regime normal presumido ou real na recuperação do pis e cofins monofasico. a Sua ferramenta atende?

    1. Fala Fernando, tudo bem? Meu amigo, a nossa não, ela é focada no Simples Nacional, pode ser que mais a frente vamos entrar nessa parte do Real e Presumido, mas ainda não estamos trabalhando com esses regimes.

  10. Bom dia! sou contador e tenho várias empresas do Simples Nacional, sou iniciante. Empresas de comercio, super mercados, consegue recuperar pis e cofins?

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