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Plano de Contas: Contábil X Referencial – Entenda essa relação!
Plano de Contas: Contábil X Referencial – Entenda essa relação!

Plano de Contas: Contábil X Referencial – Entenda essa relação!

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Plano de Contas: Contábil X Referencial – Entenda essa relação!

Plano de contas é a estrutura que organiza e classifica os fatos contábeis de uma empresa, permitindo que suas informações financeiras façam sentido internamente e externamente.

Cada organização possui o seu próprio plano, alinhado ao seu modelo de negócio, porte e operações; em outras palavras, trata-se de um sistema personalizado de leitura da realidade econômica.

Entretanto, o Fisco precisa interpretar essas informações de forma padronizada.

Por isso, existe o Plano de Contas Referencial, utilizado no SPED para que a Receita Federal compreenda e compare os dados enviados na ECD e na ECF, por consequência, exigindo o mapeamento DE-PARA entre o plano interno e o plano oficial.

Compreender essa dinâmica não apenas evita divergências fiscais, como também melhora a gestão financeira e contábil da empresa.

Além disso, um plano bem construído contribui para auditoria, análise gerencial, governança corporativa e tomada de decisão.

Por fim, entender seu funcionamento e sua importância torna o profissional mais preparado para lidar com demandas contábeis, fiscais e estratégicas. Continue lendo.

Plano de Contas Contábil
Plano de Contas Referencial
Para que serve o plano de contas?
Importância do plano de contas
Elementos do plano de contas 
Contas sintéticas vs. contas analíticas
Tipos de plano de contas
Benefícios do plano de contas
Como montar um plano de contas: passo a passo 
Qual a importância do plano de contas para a gestão eficiente?
Análise e leitura gerencial com base no plano de contas
Integração do plano com sistemas e dados da empresa
Governança e revisão contínua do plano de contas
Perguntas frequentes (FAQ)

Plano de Contas: Contábil X Referencial – Entenda essa relação!

Plano de Contas Contábil

A saber, o plano de contas é uma estrutura organizada que a empresa usa para classificar todas as movimentações financeiras e contábeis. Ele funciona como um “mapa” para registrar entradas, saídas, ativos, passivos, receitas e despesas de maneira padronizada.

Sem ele, as informações ficam soltas e difíceis de interpretar, por consequência, prejudicando tanto a contabilidade quanto a gestão.

Na prática, ele cria categorias e subcategorias que permitem registrar cada operação da empresa de forma consistente, a fim de que os dados façam sentido no conjunto das demonstrações contábeis.

Além disso, isso facilita o entendimento dos relatórios, bem como auxilia a geração de demonstrações como o Balanço Patrimonial e a DRE.

Também serve de base para obrigações acessórias e declarações fiscais, de tal forma que o processo contábil se torne mais coerente, confiável e auditável.

Visto que cada empresa têm as suas necessidades para o registro e a análise das informações; logo, para se fazer este plano não há um padrão. Mas devem ter os seguintes grupos:

1 ) Ativo

  • Circulante
  • Não circulante
  • Realizável a longo prazo
  • Investimentos
  • Imobilizado
  • Intangível

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2 ) Passivo

  • Circulante
  • Não circulante
  • Patrimônio Líquido

3 ) Contas de Resultado

  • Receitas
  • Despesas
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Plano de Contas Referencial

Outrossim, tendo cada empresa o seu próprio Plano de Contas Contábil, sem um leiaute específico; o Governo, a fim de universalizar as informações e facilitar a fiscalização, criou o Plano de Contas Referencial.

A partir dele, cada contribuinte faz, na ECD e na ECF, uma correlação (DE-PARA) entre as contas da sua empresa e o Plano de Contas Referencial.

O problema é que o plano de contas do governo atende à fiscalização, sua estrutura pode não ser suficiente para atender às necessidades e características das organizações. Assim, tenha cuidado ao fazer este mapeamento!

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Para que serve o plano de contas?

O plano de contas garante que os registros contábeis sigam a mesma lógica, em virtude de um padrão previamente definido. Isso torna mais simples comparar resultados e avaliar desempenho entre períodos.

Se cada colaborador pudesse lançar operações de forma diferente, a informação se tornaria inconsistente e dificilmente utilizável, sobretudo para fins gerenciais, fiscais e estratégicos.

Além disso, permite que a empresa tenha uma leitura mais clara do seu desempenho financeiro ao longo do tempo.

Algumas aplicações práticas:

  • Padronizar os lançamentos contábeis;
  • Facilitar análises financeiras;
  • Permitir auditorias;
  • Gerar relatórios gerenciais;
  • Dar suporte ao cumprimento fiscal;
  • Organizar dados para ECD, ECF e demais obrigações.

Importância do plano de contas

A importância do plano de contas está em permitir uma contabilidade mais precisa, confiável e útil para tomada de decisão.

Assim, sem um plano estruturado, até mesmo empresas saudáveis podem perder visibilidade de caixa, margens e custos, dificultando ações estratégicas.

Além disso, um plano bem construído se torna um instrumento de compliance, evitando inconsistências entre escrituração contábil e fiscal, principalmente quando envolve a ECD e a ECF, que exigem conformidade com o plano referencial da Receita.

Estrutura do plano de contas

O plano de contas adota uma lógica hierárquica alinhada ao Balanço Patrimonial e à DRE. Assim, cada grupo se desdobra em subgrupos, contas e subcontas para garantir maior precisão. A ordem mais comum é:

  1. Ativo
  2. Passivo
  3. Custos
  4. Despesas
  5. Receitas

Essa organização facilita a construção das demonstrações contábeis, pois os mesmos agrupamentos usados no plano são utilizados para montar os relatórios oficiais.

Elementos do plano de contas 

Ativo

Representa os bens e direitos da empresa, ou seja, tudo aquilo que pode gerar benefício econômico. Inclui caixa, contas a receber, estoque, máquinas, imóveis e investimentos. Costuma ser separado entre circulante (curto prazo) e não circulante (longo prazo).

Passivo

Corresponde às obrigações da empresa, como contas a pagar, fornecedores, empréstimos, tributos e folha. Também se divide entre circulante e não circulante, conforme o prazo de exigibilidade.

Custos

São gastos diretamente ligados à produção ou execução do serviço. Exemplos:

  • matéria-prima;
  • mão de obra produtiva;
  • insumos operacionais.

Despesas

São gastos necessários para manter a empresa funcionando, mas não diretamente vinculados à produção. Ex.: aluguel, marketing, administração, contabilidade etc.

Receitas

Referem-se aos valores que a empresa recebe pela venda de produtos ou prestação de serviços. Também podem incluir receitas financeiras ou eventuais.

Contas sintéticas vs. contas analíticas

Dentro do plano de contas, existem dois níveis essenciais:

✔ Contas sintéticas:
São categorias agrupadoras. Não recebem lançamentos diretamente, apenas acumulam informações. Ex.:

1.1. Ativo Circulante

✔ Contas analíticas:
São contas detalhadas onde os lançamentos realmente acontecem. Ex.:

1.1.1.1 Caixa

Essa distinção é importante porque permite detalhar operações sem perder a organização macro dos relatórios.

Tipos de plano de contas

Existem três tipos principais de plano de contas, cada um com finalidades diferentes:

✔ Plano de contas contábil

Voltado para escrituração, demonstrações e obrigações legais. É o que conversa com ECD e ECF.

✔ Plano de contas referencial

Modelo padronizado exigido pela Receita Federal para fins de ECF. Ele não substitui o contábil, mas complementa. A maioria das empresas faz um DE-PARA entre ambos.

✔ Plano de contas gerencial

Focado em tomada de decisão interna. Pode detalhar margens, centros de custos, produtos e projetos. É comum em empresas maiores e em setores com alta necessidade de controle operacional.

Esse último quase nunca é ensinado, mas agrega muito valor para a gestão.

Benefícios do plano de contas

Entre os principais benefícios, destacam-se:

  • Melhoria na qualidade da informação contábil;
  • Eficiência no controle financeiro;
  • Suporte à análise de desempenho;
  • Padronização e comparabilidade entre períodos;
  • Mais transparência para bancos, investidores e auditorias;
  • Redução de erros em lançamentos;
  • Integração mais fácil com sistemas contábeis e ERPs;

Além disso, influencia diretamente no compliance fiscal quando integrado com ECD/ECF.

Como montar um plano de contas: Passo a passo 

Para montar um plano de contas sólido, o ideal é seguir uma lógica semelhante à de um projeto.

Ou seja, primeiro você entende a realidade da empresa, depois define a estrutura, codifica, valida e só então coloca em prática.

Essa ordem evita que o plano seja criado com base em achismos ou apenas replicado de modelos genéricos.

A seguir, um passo a passo claro e funcional:

Passo 1: levantar como a empresa funciona
Antes de tudo, é necessário mapear como a empresa gera receita, quais custos possui, qual tipo de despesa é recorrente e quais obrigações contratuais e fiscais existem.

Isso evita que partes importantes do negócio fiquem sem conta específica.

Passo 2: definir o nível de detalhamento
Algumas empresas precisam de poucas contas, outras precisam de alto detalhamento.

Prestadoras de serviço, por exemplo, muitas vezes detalham mão de obra, retenções e centros de custo.

Já indústrias detalham produção, matéria-prima e custos fabris.

Passo 3: definir a estrutura hierárquica
É aqui que nasce a organização sintética analítica, onde a conta começa mais ampla e vai se aprofundando.

Exemplo ilustrativo:

1 Ativo
1.1 Ativo circulante
1.1.1 Disponível
1.1.1.1 Caixa

Passo 4: Codificar as contas
A codificação facilita a identificação das contas e evita interpretações conflitantes. Logo, os códigos podem ser numéricos, alfanuméricos ou híbridos.

Passo 5: Padronizar a nomenclatura
É comum encontrar contabilidade com contas chamadas de vários nomes diferentes. Padronizar evita dúvidas e trabalha com cultura interna. Exemplo: Comissão sobre vendas (e não apenas Comissão).

Passo 6: Validar com regras contábeis e fiscais
Essa etapa garante conformidade com SPED, ECD, ECF e Plano Referencial. Aqui também se verifica se haverá necessidade de DE-PARA.

Passo 7: Testar no sistema
Uma fase decisiva é simular o uso do plano no ERP ou no software contábil. Portanto, o teste demonstra se os registros se encaixam, se surgem falhas e se a hierarquia faz sentido.

Passo 8: Documentar e treinar usuários
Manuais simples, planilhas e tutoriais evitam que cada pessoa lance do seu jeito.

Passo 9: Revisar periodicamente
Planos parados perdem utilidade. O ideal é revisar pelo menos uma vez ao ano ou sempre que houver mudança estratégica.

Qual a importância do plano de contas para a gestão eficiente?

O plano de contas é fundamental porque organiza todas as movimentações financeiras da empresa em categorias claras e coerentes.

Isso facilita o entendimento dos resultados, o controle dos custos e permite que a contabilidade gere informações confiáveis para tomada de decisão.

Além disso, ele serve como base para relatórios obrigatórios, análises internas, orçamento, auditoria e planejamento estratégico.

Sem um plano bem estruturado, a empresa perde visibilidade sobre o desempenho e corre risco de erros que afetam tanto o financeiro quanto o fiscal.

Importâncias na prática

• Facilita a leitura dos demonstrativos contábeis (DRE, Balanço, Fluxo de Caixa);
• Permite identificar onde estão os maiores custos e despesas;
• Ajuda no controle de contas a pagar e receber;
• Melhora a precisão do fechamento contábil;
• Apoia o planejamento fiscal e o enquadramento tributário;
• Contribui para auditorias e análises externas;
• Reduz retrabalho e falhas de classificação;
• Permite comparabilidade histórica e projeções;
• Gera transparência nas informações financeiras;
• Favorece a governança e o compliance dentro da empresa.

Análise e leitura gerencial com base no plano de contas

Muitos acreditam que o plano existe apenas para alimentar o balanço patrimonial e a DRE. Contudo, ele também amplia a capacidade de análise interna.

A qualidade das avaliações financeiras deriva da arquitetura do plano. Desse modo, um plano consistente fortalece a gestão.

Se o plano não diferencia segmentos, canais, tipos de custos ou produtos, a análise será limitada.

Empresas com planos bem estruturados conseguem acompanhar indicadores como margem bruta, margem operacional, custo por canal de venda, lucratividade por contrato, entre outros.

Isso influencia não apenas decisões financeiras, mas também operacionais, como precificação, marketing e logística.

Outro elemento importante é a capacidade de detectar tendências. Tendências não são percepções pontuais, mas movimentos que se confirmam ao longo do tempo.

Quando o plano de contas permite leitura de tendências, o gestor consegue antecipar comportamento do mercado, sazonalidade e momentos de retração ou expansão.

Esse é o ponto em que o plano deixa de ser uma obrigação contábil e passa a ser um ativo estratégico.

Integração do plano com sistemas e dados da empresa

A digitalização fez com que o plano de contas deixasse de ser apenas um arquivo teórico para se tornar um componente central dos sistemas.

A integração com ERP, financeiro, módulo fiscal, BI, CRM e emissão de notas exige que ele seja consistente.

Quando essa integração não existe, três problemas surgem:

  1. Divergência de informações;
  2. Retrabalho para conciliar;
  3. Dificuldade de análise gerencial.

Já quando a integração é bem implementada, o plano passa a alimentar:

• Conciliações automáticas;
• Fechamento contábil mais rápido;
• Dashboards e indicadores financeiros;
• Cruzamento com SPED e ECD;
• Automação de classificação;
• Tomada de decisão baseada em dados.

Essa integração é especialmente relevante porque muitas análises modernas utilizam BI para construir visões de margem, KPIs e projeções. Sem um plano estruturado, o BI não consegue entregar clareza.

Governança e revisão contínua do plano de contas

O plano de contas não deve ser tratado como um documento estático. Inclusive, sua função depende da capacidade de acompanhar a dinâmica da empresa.

Empresas modificam o modelo de negócios, entram em novos mercados, lançam produtos, ajustam estratégias e enfrentam mudanças tributárias. Portanto, essas alterações exigem revisões estruturais.

Tudo isso demanda atualização. Em suma, um plano desatualizado perde utilidade e compromete tanto a gestão quanto o compliance.

A governança do plano de contas envolve três atividades principais: controle, revisão e comunicação.

O controle garante que apenas pessoas autorizadas alterem o plano.

A revisão verifica se o plano ainda representa a realidade do negócio.

A comunicação garante que todos os envolvidos utilizem as contas de forma coerente.

Uma boa prática é criar uma política interna de manutenção do plano, determinando quando ele pode ser modificado, quem aprova mudanças e como as alterações são documentadas.

Empresas que fazem isso conseguem manter consistência histórica e previsibilidade nas demonstrações.

Plano de Contas: Contábil X Referencial – Entenda essa relação!

Perguntas frequentes (FAQ)

O que é exatamente um plano de contas?
É a estrutura que organiza todas as contas utilizadas pela contabilidade de uma empresa, permitindo a classificação correta das movimentações financeiras e patrimoniais.

Toda empresa precisa ter um plano de contas?
Sim. Mesmo micro e pequenas empresas precisam de um plano de contas para manter a escrituração organizada e coerente, ainda que simplificada.

Plano de contas e plano referencial da Receita são a mesma coisa?
Não. O plano da empresa é interno. Já o plano referencial é uma tabela padronizada exigida pela Receita Federal para fins de transmissão da ECD e ECF.

Por consequência, as contas internas precisam ser “mapeadas” para as contas referenciais no momento da entrega.

O plano de contas muda conforme o regime tributário?
Não necessariamente. O que muda é o nível de detalhamento e as exigências de obrigações acessórias.

Uma empresa do Simples pode ter um plano mais simples; ao contrário, uma empresa do Lucro Real tende a ter maior detalhamento.

Como saber se o meu plano está bem estruturado?
Sinais positivos incluem: fácil leitura dos relatórios, baixa taxa de reclassificações, coerência entre contábil e fiscal, ausência de contas genéricas demais e suporte adequado ao orçamento e auditoria.

É possível usar um plano de contas pronto?
É possível, todavia, raramente é ideal. Modelos prontos ajudam como base, mas precisam ser adaptados ao setor, porte e estratégia da empresa.

Quem deve elaborar o plano de contas?
Normalmente o contador em conjunto com a gestão. Essa integração é importante, a fim de que o plano reflita a operação real da empresa e não apenas um padrão teórico.

Preciso atualizar o plano periodicamente?
Sim. Mudanças de atividade, novos produtos, investimentos, reorganização societária ou alteração tributária podem exigir ajustes. A boa prática é revisá-lo pelo menos anualmente.

Conclusão

Em síntese, o plano de contas não é apenas um requisito contábil, mas um instrumento estratégico que sustenta a gestão financeira, fiscal e gerencial de uma empresa.

Quando bem estruturado, ele aumenta a precisão das demonstrações contábeis, favorece o compliance com o SPED, fortalece a governança corporativa e torna mais claras as informações utilizadas para tomada de decisão.

Além disso, o alinhamento entre o plano interno e o Plano de Contas Referencial promove padronização, por consequência, reduzindo retrabalho, inconsistências e riscos de autuação.

Por fim, investir tempo na elaboração e revisão do plano significa investir na qualidade da informação contábil e no fortalecimento da gestão empresarial.

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